O uso de novas tecnologias na delimitação de sítios arqueológicos no Amapá

O uso de novas tecnologias na delimitação de sítios arqueológicos no Amapá
Autor: Lúcio Costa Leite 
Arqueólogo | Gerente do Núcleo de Pesquisa Arqueológica
Co-autora: Muryel Arantes 
Geógrafa | Coordenadora de projetos da Ecam

 

O Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá através do seu Núcleo de Pesquisa Arqueológica, localizado na cidade de Macapá, estado do Amapá, é um órgão responsável pela salvaguarda de um valioso e não renovável patrimônio cultural reconhecido nacional e internacionalmente. Como um dos importantes centros de produção de conhecimento na Amazônia, mantém um acervo técnico de aproximadamente 150 sítios arqueológicos, composto de materiais líticos, cerâmicos e ósseos que contam a história milenar de ocupação do território onde hoje é o Amapá. 

Criado em 2005, o NuPArq/IEPA conta hoje com uma equipe de 13 pessoas, entre pesquisadores e pesquisadoras e estudantes de iniciação científica, estes últimos parte de um programa de formação de jovens pesquisadores mantido pela instituição. 

A Ecam reconhece a importância desse trabalho no contexto da conservação da Amazônia e por isso atua em parceria com o NuPArq/IEPA em diferentes demandas da pesquisa arqueológica do Amapá, como tem acontecido nos acordos de cooperação direcionados à formação de geotecnologias, gestão de dados e mapeamentos colaborativos. 

Esta parceria existe, desde 2017, com resultados em diferentes produtos, capacitações envolvendo a comunidade local, treinamentos em SIG (Sistemas de Informação Geográfica) e em tecnologias de coleta de dados. São ações que têm auxiliado na coleta de dados de pesquisa arqueológica, no processamento de informações, elaboração de produtos cartográficos e mesmo na gestão das documentações de campo. 

A equipe técnica da Ecam tem acompanhado todo o processo de aplicação dos conhecimentos e ferramentas trabalhados neste processo. É importante observar, na prática, o que bem desenvolvemos em teoria, e em experiências anteriores, só assim temos condições de  avaliar o que funciona, o que não funciona, o que pode ser melhorado e ainda ter novas ideias, novas abordagens. É um trabalho colaborativo construído aos poucos, com constância e a muitas mãos. 

Infelizmente, a Pandemia e o cenário calamitoso do Brasil têm afetado as etapas práticas do trabalho. Ao longo de 2020 a Ecam esteve reunindo esforços para ajuda emergencial às comunidades parceiras e o NuPArq restringiu os trabalhos nos termos da quarentena. 

Seguindo um rigoroso protocolo de campo, em fevereiro, o NuParq/IEPA iniciou a delimitação de um sítio arqueológico identificado na área de construção do campus tecnológico da Universidade Estadual do Amapá (UEAP). Trata-se de um contexto arqueológico de grandes proporções, com urnas antropomorfas, presença de terra preta arqueológica (TPA) e cerâmicas decoradas com diferentes tipos de  grafismo.

E esse trabalho está oferecendo a oportunidade para o teste de novas tecnologias, como o Open Data Kit (ODK). Os formulários digitais desta ferramenta permitem um registro rápido e seguro dos dados obtidos em campo. Condições e características do solo, profundidade da escavação, presença, dispersão e ausência de vestígios arqueológicos são algumas das questões de pesquisas que estão sendo operacionalizadas a partir do eficiente uso dessa tecnologia.

Esperamos que o uso do ODK possa dar um bom suporte a equipe neste sentido, como já observado em testes anteriores. Sem dúvidas, esse tipo de  pesquisa oferece excelentes condições para avaliação de como o uso de novas tecnologias podem auxiliar e  otimizar um estudo arqueológico. 

Na próxima etapa estaremos focados na elaboração dos mapas temáticos que trarão visibilidade a todos os aspectos desse trabalho. E como a cartografia une ciência e arte, imaginem a beleza da coleção de mapas deste sítio. 

Créditos de imagem: equipe NuParq

Compartilhe

Lúcio Costa
Todos os posts

Doutorando em Arqueologia pela UFMG. Atua há mais de 10 anos na Arqueologia Amazônica, onde estuda a multiplicidade de relações entre as pessoas e coisas do passado. Adora artes, gatos, memes e viagens para conhecer a arqueologia de outros lugares do mundo.

TOCANTINS: BOAS PRÁTICAS DA AGRICULTURA FAMILIAR QUILOMBOLA
Débora Gomes Lima

TOCANTINS: BOAS PRÁTICAS DA AGRICULTURA...

Foto: Raphael Rabelo O estado do Tocantins está inserido quase que totalmente no bioma Cerrado. A...

Continuar lendo

Compartilhe

PARAÍBA: BOAS PRÁTICAS DA AGRICULTURA FAMILIAR QUILOMBOLA
Josiel Alves

PARAÍBA: BOAS PRÁTICAS DA AGRICULTURA...

Foto: Josiel Alves Convivência com o semiárido  A Paraíba é um dos 10 (dez) estados que...

Continuar lendo

Compartilhe

MINAS GERAIS: BOAS PRÁTICAS DA AGRICULTURA FAMILIAR QUILOMBOLA
Maria Nilza e Alcione Mendes

MINAS GERAIS: BOAS PRÁTICAS DA AGRICULTURA...

Foto: Alcione Aparecida Mendes Relato sobre as comunidades quilombola de Santa Cruz de Ouro Verde de...

Continuar lendo

Compartilhe

QUILOMBO MESQUITA: BOAS PRÁTICAS DA AGRICULTURA FAMILIAR
Sandra Braga

QUILOMBO MESQUITA: BOAS PRÁTICAS DA...

Foto: Ecam/CONAQ Mesquita é uma comunidade quilombola que se encontra a cerca de 50 km de...

Continuar lendo

Compartilhe