Superando desafios: o trabalho remoto e a pandemia de COVID-19

Superando desafios: o trabalho remoto e a pandemia de COVID-19

Em março de 2020, quando no Brasil iniciamos as restrições de deslocamento e encontros presenciais, imaginávamos que muitas ações projetos precisariam ser interrompidos pela impossibilidade de ir à campo para executá-los.

Até então estávamos acostumados (e era nossa maneira de trabalhar), com as inúmeras viagens, campos, reuniões e oficinas presenciais. A atuação em parceria com povos e comunidades tradicionais não se dá apenas na execução de atividades, mas também na partilha de experiências de vida, que também acontece na hora do café no intervalo das reuniões, no almoço descontraído durante as oficinas, na roda de conversa antes de uma noite de descanso. Nossa, que saudade de tudo isso!

Com a pandemia, tivemos que abdicar desses momentos tão significativos para protegermos nossos parceiros e nossa equipe. Mas nos enganamos profundamente quando pensamos que projetos seriam interrompidos… pelo contrário!

Durante esse último ano, iniciamos novas iniciativas e muitas delas surgiram da demanda que ficou ainda mais evidente na pandemia: a necessidade de promover a Segurança Alimentar e a Geração de Renda das comunidades.

Dados do Programa Compartilhando Mundos já apontaram o quão importante é a agricultura para as comunidades quilombolas no que se refere à alimentação e renda, mas também trouxeram inquietações para o olhar sobre o quanto que agricultura familiar quilombola é também responsável pela alimentação do urbano e como suas práticas estão relacionadas à mitigação das mudanças climáticas e à preservação da biodiversidade.

Foi com essa inquietação que seguimos atuando, junto aos parceiros, para a realização de diagnósticos sobre a produção da agricultura familiar quilombola. Esta iniciativa está sendo realizada em alguns estados da Amazônia (Pará, Amapá e Rondônia) e também, mesmo diante dos desafios do último ano, conseguimos escalar ainda mais nossas ações e iniciamos projetos nos biomas Cerrado e Caatinga (Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Tocantins, Paraíba e também Goiás, com ações no Quilombo Mesquita).

Muito aprendizado envolvido neste último ano de ações. A Ecam tem atuado fortemente no apoio à mitigação dos impactos da pandemia junto às comunidades parceiras e também no planejamento para os desafios que virão pós pandemia. Esses diagnósticos sobre a
agricultura familiar quilombola nortearão quais são as ações fundamentais para fortalecer a geração de renda e autonomia das comunidades.

Essa experiência que pousamos recente nos biomas Cerrado e Caatinga, tem nos ensinado ainda mais sobre o compromisso e dedicação das organizações quilombolas e de seus representantes na execução das atividades, mesmo que realizadas totalmente no formato
remoto. Para essa ação, contamos com representantes quilombolas de todos os estados envolvidos na iniciativa e que estão na produção intelectual da construção do diagnóstico sobre a agricultura familiar quilombola.

E tudo isso só está sendo possível pela dedicação de todas as pessoas envolvidas nas atividades e também pela rede que conseguimos construir virtualmente. Sabemos que o acesso à internet é ainda um privilégio sim e é um desafio que precisamos superar para garantir que todas as pessoas possam ter o acesso à informação e também à educação que tem enfrentado vários desafios neste novo formato virtual, explicitando as desigualdades do nosso país.

Já se passou mais de um ano de isolamento e de impossibilidade de encontros presenciais e a saudade só aumenta… mas seguimos aqui, unidos apesar da distância, tocando nossas ações e projetos com a expectativa de que as conquistas desse trabalho, que está
sendo realizado por muitas mãos, sigam trazendo esperança e melhoria efetiva na qualidade de vida das comunidades tradicionais. Juntes somos mais fortes!

Que venha vacina para podermos dar aquele abraço forte!

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Meline Machado
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Geógrafa e mestre em Gestão Ambiental e Territorial (tendo como eixo temático: cartografia étnica do território nacional) e está na coordenação do Programa Novas Tecnologias e Povos Tradicionais na Ecam.

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