20/07/2020

Por Fernanda Costa

Ecam divulga análise sobre situação de comunidades tradicionais diante da pandemia

Ecam divulga análise sobre situação de comunidades tradicionais diante da pandemia

Povos indígenas e quilombolas enfrentam novos desafios durante a pandemia do novo coronavírus. Diante desse cenário, a Ecam realizou um estudo para analisar diferentes  níveis de risco que podem determinar o impacto da Covid-19 nos territórios tradicionais. De acordo com a pesquisa, que analisou um total de 60 comunidades, 46 apresentaram risco alto, muito alto e altíssimo. Apenas 18 foram classificadas com risco moderado.

Importante ressaltar que as comunidades tradicionais, de modo geral, estão dentro do grupo dos mais vulneráveis. E que estudos como este podem apoiar no direcionamento das ações prioritárias para as comunidades ainda mais vulneráveis de forma emergencial, mas é fundamental o apoio a todas as comunidades, inclusive as de risco moderado, para evitar que estas se tornem de alto risco.

Ao todo, foram analisados 17 indicadores oriundos das organizações comunitárias, órgãos públicos e dados primários. Deste total de dados, 14 são comuns a Terras Indígenas e Territórios Quilombolas. Isso significa que, no caso das comunidades quilombolas, foi possível investigar 3 indicadores a mais devido a coleta de dados feita pelas próprias comunidades durante as atividades do Compartilhando Mundos.

Na avaliação da geógrafa e coordenadora de projetos da Ecam, Meline Machado, o objetivo é evidenciar as realidades das populações tradicionais da Amazônia e auxiliar na elaboração de estratégias para solucionar os problemas. “Essas informações podem subsidiar a priorização de medidas de contingência e apoio, seja de organizações não governamentais ou governamentais”, reitera. 

Os povos ainda enfrentam falta de políticas públicas, dificuldade de reconhecimento, pouca infraestrutura, difícil acesso a saúde, educação e segurança, além da carência de outros direitos fundamentais. 

Inicialmente, foram estudadas comunidades quilombolas e indígenas que vivem na margem dos Rios  Mapuera, Cachorro e Nhamundá, Trombetas, Cuminá/Erepecuru e Ariramba. A maioria das analisadas também tem dificuldades em acessar o auxílio emergencial por conta da falta de acesso à internet, problemas na efetivação do cadastro e falta de assistência para sanar dívidas.  

Outro ponto citado na pesquisa é a dificuldade de acesso e deslocamento do território das comunidades que, na maioria das vezes, é via fluvial. “Isso encarece o transporte dos produtos para comércio. Nesse momento de pandemia, com as restrições de deslocamento entre municípios, esses transportes ficam ainda mais escassos”, ressalta Meline Machado. 

Veja o estudo completo aqui.

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