19/12/2019

Por Fernanda Costa

Coordenadora do Programa Compartilhando Mundos fala sobre encerramento da segunda fase

Coordenadora do Programa Compartilhando Mundos fala sobre encerramento da segunda fase

O Programa Compartilhando Mundos realizou sua última oficina de análise de dados socioeconômicos no início do mês de dezembro, na Comunidade Quilombola Espírito Santo do Itá – PA. A ação é uma continuidade do Programa Novas Tecnologias, iniciado em 2007 através da uma parceria entre Ecam, Google Earth Solidário e USAID que, em algumas atividades, contou com o apoio da CONAQ.

Ao todo, a iniciativa envolveu mais de 140 comunidades quilombolas da Amazônia Legal, com o propósito de oferecer ferramentas tecnológicas que as auxiliassem a identificar potencialidades e necessidades de sua região, além de facilitar o acesso às políticas públicas. A ação proporcionou a participação direta das comunidades quilombolas em todas as etapas, sendo que na primeira fase foi realizado um levantamento de dados socioeconômicos – envolvendo saúde, educação, geração de renda, entre outras áreas – e na segunda, organização e análise das informações coletadas.

Vale ressaltar que a cooperação e a união foram pontos fortes em todas as oficinas, pois por meio de cada atividade proposta, os comunitários tiveram a oportunidade de compartilhar conhecimentos e fortalecer ainda mais a sua identidade quanto quilombolas.

Confira abaixo a entrevista com a geógrafa e coordenadora do Programa, Meline Machado!

Mel, conta pra gente, como foi a experiência de participar dessa iniciativa?

 O programa Compartilhando Mundos surgiu para apoiar as comunidades nos seus diagnósticos de registrar o passado, entender o presente e ter insumos para planejar o futuro. A troca com as comunidades e movimentos quilombolas ao longo do projeto foi que mais nos marcou. Temos aprendido muito sobre resistência, luta, ancestralidade e fortalecimento cultural que move essas comunidades para seguirem em busca por melhorias em seus territórios.

Além disso, convivemos muito com os jovens que nos ensinaram o poder que a tecnologia tem para aproximá-los (ainda mais) da luta de suas comunidades. Também contamos muito com a participação de anciãos das comunidades que nos ensinaram sobre o sagrado, a história e as expectativas de futuro que visam para as próximas gerações.  As oficinas trouxeram diversos aprendizados que nos oportunizam crescer cada vez mais enquanto Ecam, visando trabalhar junto à essas comunidades por dias sempre melhores.

 

O volume de dados obtidos na primeira fase serviu de insumo para a realização do Programa Compartilhando Mundos. Quantas pessoas conseguiram participar desses levantamentos em campo?

 Os jovens capacitados nas oficinas capacitaram novas pessoas nas suas comunidades e, dessa forma, tivemos quase 3x mais pessoas aplicando as ferramentas em campo, ou seja, mais de 600 pessoas em seis estados brasileiros da Amazônia Legal – Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Tocantins, Amapá e Pará – estiveram envolvidas nos levantamentos.

 

E ao todo, quantas comunidades participaram das oficinas?

Sem dúvida, essa iniciativa superou as nossas expectativas, inicialmente tínhamos previsto 30 comunidades e, atualmente, contamos com mais de 140! Na etapa do Programa Novas Tecnologias e Povos Tradicionais capacitamos mais de 230 jovens quilombolas. E na etapa da análise de dados com o Compartilhando Mundos mais de 250, contando com a última oficina realizada no Estado do Pará.

 

Mel, depois de todo esse processo de captar e analisar os dados, quais os próximos passos para o ano que vem?

O próximo ano do Programa Compartilhando Mundos será voltado para a divulgação e devolutiva dos resultados do Programa, com a entrega de uma publicação e lançamento do portal que está sendo construído para a CONAQ! Temos a intenção de fazer encontros, ao longo de 2020, nos seis estados do projeto, envolvendo as comunidades, nossos parceiros e instituições governamentais que atuam junto às comunidades quilombolas. A proposta é lançar a publicação e o portal e conversar com as instituições as possíveis ações que podem ser realizadas para atender as necessidades e demandas das comunidades, por meio de um planejamento estratégico de ações.

 

Quer saber mais sobre o Programa Novas Tecnologias – Compartilhando Mundos? Acesse AQUI!

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