{"id":668,"date":"2016-02-11T15:06:45","date_gmt":"2016-02-11T15:06:45","guid":{"rendered":"http:\/\/dupladinamica.com.br\/?p=668"},"modified":"2016-02-11T15:06:45","modified_gmt":"2016-02-11T15:06:45","slug":"nota-publica-o-campo-em-rondonia-um-barril-de-polvora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ecam.org.br\/en\/noticias-e-editais\/noticias\/nota-publica-o-campo-em-rondonia-um-barril-de-polvora\/","title":{"rendered":"NOTA P\u00daBLICA: O campo em Rond\u00f4nia, um barril de p\u00f3lvora"},"content":{"rendered":"<p>Em Nota, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra em Rond\u00f4nia (CPT-RO) manifesta grande preocupa\u00e7\u00e3o diante do aumento da viol\u00eancia no campo no estado. Em 2015 foram 21 pessoas assassinadas em Rond\u00f4nia. O mais grave, por\u00e9m, \u00e9 que essa intensa onda de viol\u00eancia continua. Apenas no primeiro m\u00eas de 2016 outras quatro pessoas j\u00e1 foram mortas. Confira o documento:<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) em Rond\u00f4nia vem manifestar sua grande preocupa\u00e7\u00e3o diante do aumento da viol\u00eancia em conflitos por terra no estado. Os sem-terra, ao buscarem o sagrado direito a terra, sofrem despejos, agress\u00f5es, amea\u00e7as, roubos, culminando com o assassinato.<\/p>\n<p>No ano de 2015, Rond\u00f4nia despontou no cen\u00e1rio nacional como o estado com o maior n\u00famero de mortes em conflitos no campo no pa\u00eds. Foram 21 trabalhadores assassinados, muitos com caracter\u00edsticas de execu\u00e7\u00e3o. \u00c9 o n\u00famero mais elevado de assassinatos de camponeses e sem-terra j\u00e1 registrado no estado desde 1985, quando a CPT come\u00e7ou a divulgar os registros destes fatos.<\/p>\n<p>O mais grave, por\u00e9m, \u00e9 que essa onda de viol\u00eancia continua. S\u00f3 nos primeiros dias deste ano, outras quatro pessoas foram assassinadas.<\/p>\n<p>&#8211; A militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Nilce de Souza Magalh\u00e3es, conhecida como Nicinha, foi assassinada com tr\u00eas tiros, num acampamento de pescadores atingidos pela Hidrel\u00e9trica de Jirau, na localidade chamada de \u201cVelha Mutum Paran\u00e1\u201d, no dia 7 de janeiro. Seu corpo, at\u00e9 o momento, n\u00e3o foi encontrado.<\/p>\n<p>&#8211; Enilson Ribeiro dos Santos e Valdiro Chagas de Moura, lideran\u00e7as do acampamento Paulo Justino, foram assassinados no munic\u00edpio de Jaru, no dia 23 de janeiro. Eles foram perseguidos e mortos por um motoqueiro.<\/p>\n<p>&#8211; Em Cujubim, cinco jovens sem-terra foram atacados por pistoleiros no final de janeiro. Dias antes, eles e outros acampados haviam sido despejados da Fazenda Tucum\u00e3. Ap\u00f3s o despejo, os jovens retornaram a \u00e1rea para buscar alguns objetos que haviam ficado no local. Mas eles foram surpreendidos pelos pistoleiros. Tr\u00eas conseguiram fugir. Dois est\u00e3o desparecidos e um corpo foi encontrado no carro dos jovens, que os acampados acreditam ser de um dos desaparecidos.<\/p>\n<p>A recente viol\u00eancia \u00e9 a filha adulta do latif\u00fandio, amasiado com a pistolagem patrocinada e a repress\u00e3o estatal, acobertada pela impunidade dos pretensos propriet\u00e1rios de terras, especuladores imobili\u00e1rios e grileiros.<\/p>\n<p>Esta viol\u00eancia est\u00e1 espalhada por todas as regi\u00f5es do estado, mas os maiores conflitos est\u00e3o nos munic\u00edpios de Monte Negro, Ariquemes, Cujubim, Buritis, Alto do Para\u00edso, a maioria no Vale do Jamari (15 mortes em 2015 e 2 em 2016).<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria de Rond\u00f4nia pode-se dizer que \u00e9 um aut\u00eantico barril de p\u00f3lvora prestes a estourar a qualquer momento, j\u00e1 que os fazendeiros est\u00e3o se organizando em associa\u00e7\u00f5es de produtores rurais para defenderem seus interesses, muitos com \u00e1reas em terras p\u00fablicas da Uni\u00e3o. Por outro lado h\u00e1 centenas de fam\u00edlias acampadas em terras da Uni\u00e3o, jogadas \u00e0 beira de estradas, decididas a conquistar um peda\u00e7o de terra, incentivadas pelo chicote da pobreza. Esperam por reforma agr\u00e1ria que est\u00e1 engessada h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>O mais preocupante \u00e9 o fato de que toda esta viol\u00eancia est\u00e1 sendo debitada por autoridades policiais e outras autoridades p\u00fablicas e por ve\u00edculos da imprensa na conta dos movimentos dos trabalhadores do campo. O comandante geral da pol\u00edcia militar, \u00canedy Dias, que foi ao Vale do Jamari, ontem, dia 9, \u201cpara coordenar a\u00e7\u00f5es para diminuir a viol\u00eancia\u201d, afirmou \u00e0 imprensa: \u201cEstamos mandando um recado: n\u00e3o vamos descansar enquanto n\u00e3o prendermos todos esses criminosos, que considero, na verdade, terroristas. Esses ditos sem-terra agem como terroristas. Vamos coloc\u00e1-los no devido lugar. Por isso, vim aqui at\u00e9 hoje para definir as novas estrat\u00e9gias de combate a esses criminosos\u201d.<\/p>\n<p>O comandante e a imprensa se esquecem, por\u00e9m, da pris\u00e3o, no dia 3, de pistoleiros fortemente armados, inclusive com armas de uso restrito das for\u00e7as armadas que atacaram um carro da pol\u00edcia que investigava o desaparecimento de jovens sem-terra (citados acima), no mesmo Vale do Jamari. Fazia parte do grupo de pistoleiros um sargento da pol\u00edcia que conseguiu fugir. O comandante tamb\u00e9m n\u00e3o se refere, como registrou o portal Di\u00e1rio da Amaz\u00f4nia, no dia 6 de fevereiro, que \u201cdurante o ano de 2015, em uma opera\u00e7\u00e3o especial da Pol\u00edcia Militar na regi\u00e3o de Buritis, armamentos pesados, como fuzis AR-15, estavam em poder de homens que, ao serem presos, argumentaram que o material era utilizado para prote\u00e7\u00e3o pessoal e de familiares de um fazendeiro da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra pede socorro. S\u00e3o imprescind\u00edveis provid\u00eancias imediatas que freiem de uma vez o caos que vem se instalando nas \u00e1reas rurais de Rond\u00f4nia, com execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias de trabalhadores. Exige-se tamb\u00e9m investiga\u00e7\u00e3o imparcial dos assassinatos com puni\u00e7\u00e3o exemplar de seus autores.<\/p>\n<p>Se nenhuma medida s\u00e9ria e eficaz for tomada pelas autoridades competentes, a situa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser calamitosa, beirando a cat\u00e1strofe social.<\/p>\n<p>Nosso pa\u00eds necessita de Justi\u00e7a social \u00e0 altura dos problemas que sua falta acarreta, que garanta a dignidade da pessoa humana e os seus direitos fundamentais, como o direito \u00e0 terra, \u00e0 vida e \u00e0 sua manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Reforma Agr\u00e1ria \u00e9 urgente e necess\u00e1ria para que se rompam as fronteiras da intoler\u00e2ncia e se ofere\u00e7a dignidade para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Porto Velho, 10 de fevereiro de 2016.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra Rond\u00f4nia (CPT-RO)<\/em><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Nota, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra em Rond\u00f4nia (CPT-RO) manifesta grande preocupa\u00e7\u00e3o diante do aumento da viol\u00eancia no campo no estado. 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