04/02/2021

Por Fernanda Costa

Ecam promove ações integradas de enfrentamento à Covid-19

Ecam promove ações integradas de enfrentamento à Covid-19

As iniciativas vão desde diagnóstico de vulnerabilidade social à doação de insumos e apoio na construção de planos de vacinação.

A Ecam, organização com 20 anos de atuação, está se reunindo com entidades locais para pensar em ações que diminuam os impactos da pandemia na região Norte e em outros estados do país. Entre as ações, estão a doação de alimentos e kits de higiene, materiais de prevenção, equipamentos hospitalares e planos de vacinação quilombola. 

Nas últimas semanas, o Brasil acompanhou o caos em Manaus devido à falta de insumos para atender pacientes com Covid-19. A falta de oxigênio, leitos e hospitais superlotados provocaram colapso no sistema público de saúde. Cenário que tende a se repetir em outros estados da região norte, se não houver medidas rígidas de contingência. 

A situação chega a ser ainda mais grave para os povos e comunidades tradicionais, pela maior parte dessas populações ter pouco acesso à saúde, infraestrutura, informação e ainda ter que lidar com a frequente dificuldade de escoar produção, ocasionando no aumento da insegurança alimentar. Dados obtidos em recente pesquisa realizada pela Ecam Projetos Sociais, Mapeamento de vulnerabilidade nas comunidades tradicionais da Amazônia diante da pandemia de COVID-19, que abrangeu 60 comunidades tradicionais da Amazônia Brasileira, constatou que 70%  das comunidades estão em situação de risco alto, muito alto e altíssimo para a contaminação da Covid-19. Uma realidade que pode ser ainda mais alarmante se incluir todas as 650 mil famílias que  se declaram comunidades e povos tradicionais no país. 

Dessa maneira, a Ecam percebeu a necessidade de dirigir seus esforços em continuar atendendo as populações tradicionais da Amazônia e estender a outros estados do país. Ao todo, a organização apoiou em ações de enfrentamento da pandemia nos Estados do Amazonas, Amapá, Rondônia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará, Pernambuco e Tocantins.

No Pará, por exemplo, está apoiando com alimentos, medicamentos e equipamentos hospitalares para as regiões da Calha Norte e Santarém, cobrindo cerca de 400.000 pessoas, incluindo quilombolas e indígenas. E nas comunidades tradicionais, localizadas próximo a Oriximiná (PA), a organização conseguiu auxiliar, até o momento, 37 comunidades quilombolas, além de povos que encontram-se isolados, devido à pandemia, e que precisam de suprimentos de emergência, como as aldeias indígenas dos grupos Wai Wai e Hixkaryana.

Já no Amapá, a organização implementou uma nova iniciativa denominada,  “Projeto Quilombo Solidário: Renda e Produção”, com o propósito de realizar levantamentos de dados sobre a agricultura familiar quilombola, a fim de fortalecer a geração de renda das comunidades que estão tendo dificuldade de adquirir renda, assim como apoiá-las com doações durante a pandemia.

Até o momento, a Ecam, ao lado de parceiros e atores locais, apoiou mais de 100 comunidades e territórios tradicionais e não tradicionais, de nove estados do país. A organização ainda tem ações previstas para os próximos meses. 

Plano de vacinação para comunidades quilombolas 

Uma outra demanda urgente é a busca pela efetivação do Plano Nacional de Imunização, de modo que as comunidades quilombolas  tenham acesso à vacina de forma prioritária. A ideia é apoiar o levantamento de informações para superar  os entraves colocados pelo poder público de ausência de dados ou ainda da negativa de reconhecimento da existência de determinadas comunidades. 

Diante disso, a Ecam tem apoiado a Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Amapá (CONAQ – AP), em um levantamento sobre as/os quilombolas no Estado que poderá contribuir na produção de uma estimativa populacional e no planejamento de ações para fazer com que a vacina chegue a  64.000 quilombolas (Fonte: CONAQ-AP) que vivem no  Amapá, o correspondente a 10% da população deste Estado. 

Um formulário online com 12 ( doze) perguntas foi produzido pela CONAQ-AP com assessoria técnica e jurídica da Ecam e apresentado no dia 26 de janeiro em uma live realizada pelas instituições. As informações também permitirão o monitoramento por parte da CONAQ-AP para verificar se a vacina chegará mesmo nas comunidades. Parte das informações também serão utilizadas para demandar outras ações na área de saúde da população  quilombola. 

Também vale mencionar que a Ecam está com iniciativa semelhante no apoio às comunidades quilombolas da região do Rio Trombetas, município de Oriximiná, no Pará. No momento, um formulário está em fase de elaboração para ser aplicado nos territórios que tiveram um aumento populacional com o retorno às comunidades de quilombolas que estavam no espaço urbano, como um dos resultados desencadeados pela pandemia.

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